Revista Mouro 9 - Janeiro 2015

 

 

Editorial

A Revista Mouro chega ao seu nono número, sendo o seu terceiro em formato blindado - capa dura que estes tempos exigem! E agora com o triplo de artigos do seu primeiro número. Este crescimento acumula a produção de um ano onde as sombras e luzes das jornadas de junho de 2013 iluminam de um lado o envelhecido rosto das novas esquerdas e de outro, contrastam o novo rosto do velho fascismo. Esses tempos interessantes aceleram processos exigindo que os atores entrem em cena para prestar contas ao nosso tempo que, no mais, passa mais rápido do que  antigamente...

 


Na vertigem dos acontecimentos "as certezas que o vento não leva" estão no passado recente, na fotaleza do soldado invencível: Giap, descrito no artigo de Wilson Barbosa. O discurso concilatório entra em crise, a democracia da maioria não basta para as elites. Enquanto as redes sociais teclam por rnudar as mudanças, o movimento social segue lutando diante da contraofensiva dos escriturários e juristas da propriedade.


O embate tem um lugar, e na América Latina, onde um projeto de esquerda sangra agora as vitórias conquistadas em território inimigo com armas dos inimigos: o mercado, o financiamento privado e a democracia burguesa. O último ciclo eleitoral mostrou que a militância espontânea de esquerda foi a responsável pela politização do processo.


E, mais uma vez, adquirindo alguns mililitros de oxigênio para respirar, o Partido dos tabalhadores viu atônito as ruas e a rede de militantes petistas e não petistas mostrarem a cara a seu favor e contra o preconceito de gênero, racial e social. Entenderá o recado desta vez?


Antes que se avance ou recue, apresentamos o dossiê: " Os limites do projeto de esquerda na América Latina". Aqui o leitor encontrará entre outras coisas a, entrevista explosiva do ex-diretor de gás e energia da Petrobrás lldo Sauer, na qual se evidenciam enredos semelhantes à corrida do ouro. Tâmbém o assédio privatizante da Educação através de processos avaliativos e do discurso da meritocracia, por Luiz Carlos de Freitas, e uma conferência onde Marilena Chaui desvela o Estado com Espinosa, da Ética à corrupção, da tão propagandeada ética na política para o salto emancipador das ideias públicas presentes na ética da política.


A Mouro traz ainda uma tradução de artigo de Marx sobre os cartistas e as eleições na Inglaterra e uma entrevista que Caio Prado deu a jornal acadêmico da Poli que lhe rendeu a prisão. E na seção biblioteca marxista temos Jean-Yves Mollier, o renomado historiador francês dos livros.


A revista traz neste número um adeus ao lutador socialista Plínio de Arruda Sampaio, que fez amigos em várias frentes, a última no PSOL. A Mouro homenageia também o engenheiro e professor Oswaldo Sevá, adepto em suas pesquisas do materialismo histórico, cujas curiosidade e generosidade dispõem sua engenharia na defesa da luta ambiental e social, através da análise dissidente e crítica sobre processos poluentes e degradantes da vida dos trabalhadores e da natureza, olhando com lupa atenta as engrenagens das várias máquinas de moer gente. Mouro homenageia igualmente um militante da luta contra a ditadura na frente religiosa: Anivaldo Padilha. Ideias, mulheres e homens que lutam. Patrizia Piozzi tem sua conferência sobre Marx, o operário, o tempo livre e as leis da beleza transcrita para a revista.


Enfim, Mouro traz muito mais. Basta folhear suas páginas...

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