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Defesa do Marxismo - José Carlos Mariátegui

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A obra do jornalista, teórico e dirigente revolucionário peruano José Carlos Mariátegui vem ganhando destaque nos meios editorial e acadêmico, quase um século depois de ter sido escrita. Marxista da práxis, para quem a vida teórica e a prática militante eram inseparáveis, Mariátegui é um dos principais expoentes da filosofia contemporânea. Discutiu temas históricos, políticos e culturais, desvendando a memória de seu país, o contexto latino-americano e até aspectos da geopolítica mundial em ensaios originais que priorizavam a comunicação com as massas, acima de tudo. Seus escritos, elaborados principalmente na década de 1920 e apoiados nos alicerces do materialismo-histórico, foram acusados de irracionalistas na época por absorverem as essências conceituais libertárias de Georges Sorel, Sigmund Freud e Friedrich Nietzsche. 

Em Defesa do marxismo: polêmica revolucionária e outros escritos, agora publicado em português pela Boitempo Editorial, o leitor encontra esse ensaio, composto de dezesseis artigos, e outros seis escritos inéditos em que Mariátegui se atém a algumas das mais importantes questões filosóficas e políticas do conturbado período que colidiu com os horrores da Primeira Guerra Mundial e, por outro, com a Revolução de Outubro. “Sua técnica de dissecar experiências da discussão socialista e equívocos dos revisionistas ou, ainda, iluminar personagens importantes no jogo dos poderes e ideias não se limita a um abstracionismo esquerdista ou a uma emotiva história política – é antes uma plataforma tática de onde se ergue para enxergar o porvir humano no instável pós?Guerra”, afirma o jornalista, estudioso e tradutor do livro, Yuri Martins Fontes, na introdução.

Com uma tradução cuidadosa e texto de orelha do filósofo Carlos Nelson Coutinho, a edição preserva o estilo eloquente e cativante do autor, mantendo a contundência das repetições, seu ritmo de pontuação e sua escolha de termos que exigem conceituação precisa.

Trechos do livro

“A verdadeira revisão do marxismo, no sentido de renovação e continuação da obra de Marx, foi realizada na teoria e na prática por outra categoria de intelectuais revolucionários. Georges Sorel, em estudos que separam e distinguem o que em Marx é essencial ou substantivo daquilo que é formal e contingente, representou nas primeiras décadas do século atual – talvez mais do que a reação do sentimento classista dos sindicatos – o retorno à concepção dinâmica e revolucionária de Marx e sua inserção na nova realidade intelectual e orgânica, contrariamente à degeneração evolucionista e parlamentar do socialismo. Através de Sorel, o marxismo assimila os elementos e aquisições substanciais das correntes filosóficas posteriores a Marx. Superando as bases racionalistas e positivistas do socialismo de sua época, Sorel encontra em Bergson e nos pragmatistas ideias que dão vigor ao pensamento socialista, restituindo-o à missão revolucionária da qual o havia gradualmente afastado o aburguesamento intelectual e espiritual dos partidos e de seus parlamentares, que se satisfaziam no campo filosófico com o historicismo mais raso e o evolucionismo mais assustado. A teoria dos mitos revolucionários, que aplica ao movimento socialista a experiência dos movimentos religiosos, estabelece as bases de uma filosofia da revolução, profundamente impregnada de realismo psicológico e sociológico, ao mesmo tempo que se antecipa às conclusões do relativismo contemporâneo, tão caras a Henri de Man.”

Sobre o autor 

Nascido em 1894 no Peru, José Carlos Mariátegui trabalhou com jornalismo de 1908 até 1919, passando por publicações como La Prensa e El Tiempo. Publicou poemas e revistas de humor e arte, mas a partir de 1918, voltou-se ao socialismo e dedicou-se a viajar pela Europa, escrevendo como correspondente. Retorna à sua terra natal três anos depois e cria muitas publicações com forte conteúdo de crítica social, entre elas, a célebre revista Amauta, palavra quéchua que significa “sábio, sacerdote”, e que se tornou uma espécie de alcunha do próprio Mariátegui. No Peru, fundou em 1928 o Partido Socialista Peruano, escreveu reportagens e artigos sobre a situação européia, e deu início ao seu trabalho de investigação da realidade peruana sob um olhar marxista. Morto em 1930, sua obra teórica e sua visão sobre a formação social e étnica da indo-américa influenciaram desde a revolução cubana e Che Guevara até os zapatistas de Chiapas, e seguem inspirando movimentos que lutam pela igualdade e pela emancipação em toda a América Latina. Dentre os vários livros que escreveu, destacam-se Siete ensayos de interpretación de la realidad peruana e La escena contemporánea. Dele a Boitempo publicou também Do sonho às coisas (2005).

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